Início >> Noticia >> Sistema leva água potável para famílias ribeirinhas
  • Increase
  • Decrease

Current Size: 100%

Sistema leva água potável para famílias ribeirinhas

Mesmo possuindo a maior bacia hidrográfica do mundo, a região amazônica ainda esbarra em grandes dificuldades na procura por água de qualidade. Dispostas em perímetros muito distantes umas das outras, as comunidades ribeirinhas tornam inviável economicamente o desenvolvimento de um sistema público que distribua água adequada ao consumo dessas pessoas. Na busca por alternativas, a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), em parceria com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), beneficiou 85 famílias ribeirinhas da Ilha de Paquetá, em Belém, com o novo Sistema de Abastecimento de Água Pluviais (Chuva).

“Esse projeto é fundamental para o acesso à água enquanto direito humano, pois as famílias ribeirinhas, quilombolas e assentados, que estão em situação de vulnerabilidade social, poderão minimizar os impactos da desnutrição, incidência de verminoses, mortalidade e morbidade advindas da falta de água potável”, destacou o titular da Seaster, Heitor Pinheiro.

O projeto foi aprovado no edital do programa Cisternas para Implementação de Tecnologias Sociais de Acesso à Água para Consumo na Região Norte, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). A implantação teve início em 2015 e representa um investimento aproximado de R$ 4 milhões. Até agosto deste ano um total de 800 sistemas serão implantados em 9 municípios paraenses com alto índice pluviométrico, com previsão de atendimento de 4 mil pessoas.

A estrutura de captação é moderna e composta por um apoio elevado de madeira, calhas, tubos de PVC, filtros e reservatórios, e a potabilidade será feita por meio de adição de hipoclorito, que é o principal desinfetante utilizado nas estações de tratamento de água para o consumo humano. O tratamento é realizado em 5 etapas: captação, autolimpeza, reservação, filtração e desinfecção.

Melhorias – Entre os moradores que já estão usufruindo da água potável está Antônio Carlos Campos. Carpinteiro naval, pai de três filhos, ele conta a dificuldade de ter acesso à água potável antes da instalação do sistema. “Todos os dias tinha que ir até a Ilha de Cotijuba buscar água em vasilhas, para lavar roupa e louça, tomar banho, cozinhar e beber. O tempo e o custo com combustível, além da agonia pela falta de água era ainda maior. Agora a situação melhorou. Hoje tenho água de qualidade na minha torneira e não preciso ter que deixar minha família só para ir buscar água”, relatou.

Quem também recebe a água é a dona de casa Sara Campos, que sempre morou na ilha. Mesmo com a possibilidade de poder buscar água em outra localidade, ela vê no novo sistema de abastecimento a economia nas contas domésticas. “Podemos buscar água em outro lugar, mas é mais vantagem ter esse sistema em nossas casas. O combustível está cada vez mais caro, e com esse novo sistema, terei água tratada, de qualidade, deixando de ter que gastar dinheiro com combustível, além do tempo que levava para chegar até Cotijuba”, explicou.

Antes a única forma de acesso à água potável pelas famílias ribeirinhas da Ilha de Paquetá era pelo sistema de abastecimento de água da prefeitura de Belém, na Ilha de Cotijuba. Até então não existia nenhum tipo de abastecimento na área, a não ser soluções individuais, que muitas vezes significava utilizar a água do rio que é imprópria para consumo, realidade que mudou com instalação do sistema de aproveitamento. O projeto vai ser ampliado para outros municípios do Estado. “Essa água que estamos oferecendo é de qualidade, devidamente tratada. Estamos sempre olhando para o futuro, e a cada dia pretendemos beneficiar novas famílias, para que possamos reduzir com isso alguns problemas de saúde, por exemplo”, acrescentou o diretor de segurança alimentar e nutricional da Seaster, Honorato Cosenza.

Para o morador da ilha e pescador Paulo Paixão, a instalação do sistema além de ter diminuído os gastos também contribuiu para a família ter uma renda extra. “O tempo que eu levava para buscar água na outra ilha, agora posso gastar fazendo outras atividades, como o serviço de limpeza do sistema, que me gera uma renda extra”, explicou.